História

Maria II, filha de D. Pedro I – Wikimedia Commons

MARIA DA GLÓRIA, A FILHA ESQUECIDA DE DOM PEDRO I
A primogênita de Dom Pedro I e da Imperatriz Leopoldina nasceu no Rio de Janeiro no dia 4 de abril de 1819. Maria II, no entanto, não ficou muito tempo em terras tupiniquins. Quando seu avô, D. João VI, morreu em 1826 , Dom Pedro era o legitimo herdeiro da coroa portuguesa, mas, como era imperador do Brasil, abdicou a favor de Maria da Glória, depois de ter outorgado a Carta Constitucional.

Maria, então, se tornou rainha de Portugal aos 7 anos de idade. O monarca cedeu o trono português com duas condições: o casamento da filha, quando atingisse a maioridade, com o tio D. Miguel e que ele jurasse a Carta Constitucional.

Em 1826, ela deixou o Rio de Janeiro com destino a Viena, onde seria educada pela Corte. Isso legitimaria sua participação em uma potência europeia, fortalecendo, ainda, o Partido Liberal. Mas isso não foi tão simples assim: ainda em 1826, o marido prometido à Maria, D. Miguel, voltou ao reino e se autoproclamou rei absoluto.

Ele rejeitou Maria da Glória como rainha e como noiva. D. Pedro, porém, não deixou isso barato e a filha conseguiu assumir o trono sete anos depois, aos 15 anos, em 1833, ano em que o imperador faleceu. Ela havia sido, enfim, proclamada rainha de Portugal.

Com toda essa confusão, a questão do casamento acabou ficando também transtornada. Ele havia sido reconhecido pelo Vaticano, mas, como não foi consumado fisicamente, acabou sendo anulado. Novamente, ela não pôde escolher seu marido e casou-se pela segunda vez, em 1835, desta vez com Dom Augusto de Beauharnais, irmão da madrasta de Maria da Glória, Dona Amélia, e o neto de Napoleão Bonaparte.

Mas a união também não vingou. Ele veio a falecer apenas dois meses depois, vítima de uma grave inflamação que se espalhou por garganta, esôfago e estômago. A terceira vez foi com Fernando Augusto de Saxe-Coburgo-Gotha que, com o casamento, se tornou príncipe consorte de Portugal.

A própria rainha viria a afirmar a amigos que sua função era parir herdeiros. Do casamento com Fernando Augusto, foram 11 herdeiros, e dois deles foram reis de Portugal, Pedro V de Portugal e Luís I de Portugal.

A saúde de Maria II, no entanto, era muito debilitada e suas gravidezes — todas elas — foram de alto risco. Devido a isso, apenas sete dos 11 filhos que teve conseguiram sobreviver, e ela morreu exatamente por conta disso, no seu 11º parto, em 15 de novembro de 1853, com apenas 34 anos.

Para muitos historiadores que estudam a vida de Maria da Glória, ela desenvolveu uma vida sexual muito ativa para que seu marido não tivesse nem tempo de pensar em outra conjugue, ou seja, para não a trair. O pensamento pode ser considerado retrógrado nos dias de hoje, visto que a traição em um casamento não necessariamente está relacionada à falta de sexo.

Acredita-se que ela tenha criado essa mentalidade por assistir às constantes brigas de seus pais, além da traição constante de Dom Pedro com Marquesa de Santos. Ainda assim, a filha tinha uma boa relação com o pai.