História

Condessa de Barral – Wikimedia Commons

A CONDESSA DE BARRAL AMANTE DE D. PEDRO II
Luísa Margarida de Barros Portugal foi uma influente nobre brasileira que ficou conhecida pelo título de Condessa de Barral na França e Condessa de Pedra Branca no Brasil. Vivendo entre 1816 e 1891, ela não passou despercebida nos anos em que foi muito próxima do governo no Segundo Reinado, tampouco em sua trajetória na corte francesa.

Pedro e a condessa foram amantes por 34 anos, o que só teve fim com a morte do imperador. Mary del Priori afirmou que costuma “dizer que Luísa não foi amante do imperador, mas sim sua grande paixão”, ao falar sobre a biografia que escreveu sobre a moça. Os mais próximos do monarca sabiam dessa relação extraconjugal, chegando a ser um caso investigado pela imprensa.

A relação dos dois era, além de carnal, muito intelectual. Com diversos traços em comum, o casal vivia em sintonia. Quando a condessa se casou e mudou-se para a Europa, os dois continuaram o relacionamento à distância, por cartas, e com recorrentes visitas, com a paixão cada vez mais florescida. Dom Pedro chegou a escrever que sonhava em chegar à janela de seu quarto num balão.

Dom Pedro II e Teresa Cristina / Crédito: Wikimedia Commons

A condessa de Barral era amiga íntima da irmã de Dom Pedro, Francisca de Bragança, e por isso já era próxima da Família Imperial desde cedo. Com o nascimento dos filhos do jovem imperador, que desejava a criação educacional das crianças tão avançada quanto a sua, procurou uma preceptora. A madrasta, Dona Amélia, se recusou à tarefa, e a Princesa de Joinville, interviu.

Então, Luísa foi indicada para o cargo, assumindo a tutoria de Isabel e Leopoldina após muitas negociações. Conseguindo poderes fortes de participação na vida da corte, ela se mudou para o Rio de Janeiro e encabelou a criação cultural dos filhos do monarca, na mesma época em que começara o relacionamento amoroso.

Condessa de Barral / Crédito: Divulgação

Passando a viver próxima do Palácio de São Cristóvão, ela logo foi indicada como dama de companhia de Teresa Cristina, a imperatriz, mesmo que sua grande amiga fosse outra. Adquirindo influência na corte e a simpatia da maioria da aristocracia brasileira, com seu carisma e alta cultura, ela marcou presença, estabelecendo grande autoridade nos assuntos do palácio.

No local, em que o poder era muito disputado, ela criou rixas relevantes com altos funcionários do Imperador, mas sua inteligência e assertividade a colocaram na dianteira. Uma mulher bonita, liberal, mas ao mesmo tempo fortemente católica, ela era muito culta e estrategista, dominando as relações da corte. Também tinha muitos contatos, incluindo com intelectuais célebres e personalidades europeias.

A condessa de Barral era proveniente de uma família nobre baiana, filha de um estadista do Primeiro Reinado, visconde de Pedra Branca, e por isso tinha uma influente vida no Brasil. Ao mesmo tempo, ela, ainda cedo, casou-se com o conde de Barral, Eugène, que era parente distante de Josefina, esposa de Napoleão Bonaparte. Por isso, mudou-se jovem para a França.

Porém, mesmo antes do cargo no palácio, ela vivia retornando ao país de origem, tendo uma vida alternando entre os países. Entre suas passagens na Europa, também criou larga influência e presença entre os aristocratas franceses, sendo considerada uma das figuras mais vivazes da corte de Luís Filipe I.

Dona Teresa Cristina / Crédito: Wikimedia Commons

O relacionamento de Luísa com D. Pedro II, somado à frieza com que o imperador tratava Tersa Cristina, a imperatriz, fizeram com que a italiana ficasse isolada e ressentida. Desde que se conheceram, o monarca tratou com certo desprezo a rainha, que ele considerava feia. Por isso, o relacionamento extraconjugal foi razão de verdadeiro conflito entre as mulheres, e a condessa deixou claro em sua vida na corte que compraria a briga.

Apesar de, por muito tempo, se questionar se Dom Pedro realmente tinha relações sexuais com a condessa, por ela ser fervorosamente católica, hoje não há mais dúvidas de seu relacionamento amoroso. Mesmo quando a relação era puramente epistolar, com Luísa morando na Europa, Teresa sofria com grande ciúme, pois o monarca não lhe dava suficiente afeto.