Luto

Martha Rocha

MARTHA ROCHA MORRE AOS 87 ANOS
A primeira Miss Brasil, Maria Martha Hacker Rochamorreu aos 87 anos, na tarde de sábado, dia 04, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. De acordo com as primeiras informações, Martha morreu em consequência de um infarto do miocárdio, com parada respiratória.

Embora tenha sido socorrida por um médico e encaminhada de ambulância para um hospital, não chegou à tempo. O corpo de Martha Rocha foi enterrado neste domingo, dia 05, no Cemitério Santíssimo.

A ex-modelo deixa três filhos. Martha Rocha era baiana e foi eleita Miss Brasil em 1954, no Hotel Quintandinha, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, quando o concurso começou a ser realizado oficialmente. Naquele mesmo ano, ela ainda ganhou o segundo lugar no Miss Universo, nos Estados Unidos.

Martha Rocha com este colunista no jantar no Feira Palace Hotel oferecido pelo ex- prefeito José Ronaldo de Carvalho

MARTHA ROCHA EM FEIRA DE SANTANA
No dia 7 de dezembro de 2002 este colunista traz Martha Rocha a Feira de Santana onde a mesma foi homenageada como a mulher mais bela do século na Noite do Troféu Imprensa do Jornal NoiteDia.

Maria de Lurdes Silva, Eliana Costa, Odejane Franco, Sueli Costa, Ailton Pitombo, Martha Rocha, Soraia Campos, Zuleide Bastos, Cidinha Kruschewsky, Julieta Marques, Haina Freiras e Luci Silva

No dia 20 de outubro de 2003, no Restaurante Rancho Catarinense, este colunista recebeu a eterna Miss Brasil Martha Rocha para fazer o lançamento do Troféu Martha Rocha em comemoração aos seus 50 anos de Miss Bahia e Miss Brasil que a mesma completaria no ano de 2004. Nessa noite foram homenageadas com o Troféu 10 senhoras da nossa sociedade.

Já no dia 21 de outubro de 2003 realizamos no Shopping Center Iguatemi Feira (Shopping Boulevard) a exposição  “Sentimento”  óleo sobre tela  da artista plástica Martha Rocha.

História

D. Pedro I, por Simplício Rodrigues de Sá.

O SEGUNDO CASAMENTO DO IMPERADOR: D. PEDRO I
Com a morte de D. Maria Leopoldina, um grande vazio se instaurara na corte carioca, devido à perda de uma figura muito bem quista tanto por fidalgos quanto pelas classes populares, e de escravos.

Dias de luto procederam à morte da paladina da Independência do Brasil, enquanto seu viúvo permanecia ao lado daquela à qual o povo creditava toda a culpa pelo sofrimento e morte da soberana. Com o cargo de Imperatriz vago, Domitila de Castro Canto e Melo passara a concentrar em si, se não o título, pelo menos as funções de consorte real, organizando bailes para a aristocracia, recebendo embaixadores e comissionando cargos no governo para seus amigos e familiares.

Tais prerrogativas faziam da marquesa de Santos uma provável candidata ao trono. Possuía-a um caráter extrovertido, além de uma linhagem que, mesmo incomparavelmente inferior à de D. Leopoldina, se podiam distinguir nomes importantes, como o de Inês de Castro.

Todavia, ciente da extrema impopularidade que seu relacionamento com Domitila lhe valera perante os súditos, D. Pedro I estava disposto a tomar medidas para restaurar sua própria reputação, e a alternativa mais óbvia para tanto seria um novo casamento, não com uma nascida da terra, mas com uma princesa europeia.

Através de seu matrimônio com a arquiduquesa Leopoldina de Habsburgo, D. Pedro ligara-se à nobre casa d’Áustria, uma das potências mais importantes do período. Uma segunda união, por sua vez, permitir-lhe-ia estreitar ainda mais os laços com o continente europeu. Diante disso, redigiu uma missiva a seu sogro, o imperador Francisco I, na qual dizia:

“Prezadíssimo sogro e meu amo,”
“Posto que no meu coração exista ainda muito vivamente a lembrança de minha prezada Leopoldina […] que arranca de meus olhos lágrimas de externa saudade, contudo, vendo a necessidade de segurar bem o trono brasileiro e tomando o exemplo de Vossa Majestade já por três vezes dado vou pedir-lhe licença para efetuar segundas núpcias. Permita-me que agora lhe patenteie meu plano e peço ajudar-me a pô-lo em práticas…” (apud PRIORE, 2012, pag. 202).

Entretanto, as negociações não se mostrariam tão fáceis para o primeiro soberano do Brasil, uma vez que seu caso com a marquesa de Santos, aliado às causas então suspeitas da morte da primeira esposa, desacreditara-o de forma considerável perante as demais monarquias da Europa. Desse modo, era preciso livrar-se de Domitila o quanto antes, para se conseguir alcançar o fim desejado. Só que essa não seria uma tarefa tão fácil como se poderia prever.

Mulher de um temperamento extraordinário, Domitila de Castro possuía uma caráter determinado e não ia abrir mão tão fácil de tudo o que conquistara até então. Não obstante, Pedro I ainda encontrava-se apaixonado pela mesma, embora não com a mesma intensidade demonstrada nos anos iniciais do relacionamento.

Enquanto tentava lidar com seus sentimentos, encarregara Felisberto Caldeira Brandt, marquês de Barbacena, juntamente com Domingos Borges de Barros, visconde de Pedra Branca, para procurar pelas principais casas dinásticas da Europa uma princesa digna dos desejos do imperador.

Todavia, poucas demonstraram interesse em fazer uma viagem extremamente cansativa rumo à América para se casar com um homem de quem se acreditava ser o responsável pela morte da consorte. Sendo assim, o mercado de alianças matrimoniais não se mostrava favorável ao Brasil.

Era preciso afastar a sombra da marquesa, pelo menos diante dos olhos do público. Mas não demorou muito, e as pessoas começaram a descobrir que o afastamento de Pedro da amada era apenas superficial, pois secretamente ainda continuavam a trocar cartas apaixonadas e a manter encontros noturnos no solar de Domitila.

Não obstante, um novo acontecimento viria acumular o vão das frustrações dinásticas de D. Pedro I: seu irmão, D. Miguel, prometido em casamento à primogênita do imperador, D. Maria da Glória, iniciara em 1828 uma revolta contra a autoridade do irmão mais velho, na qual almejava a coroa de Portugal. Aliado a esse infortúnio, o marquês de Barbacena começara a tomar os primeiros “nãos” das pretendentes. Conta-se que a princesa da Lombarda chegara mesmo a se ajoelhar, pedindo para não vir ao Brasil.

As únicas candidatas que se prontificaram à tarefa foi uma sueca, albina; e uma princesa do Haiti, filha de rei afrodescendente. As duas, por sua vez, foram recusadas. Por fim, diante das sucessivas negações, o soberano dirigiu novas instruções ao marquês, nas quais dizia:

“O meu desejo, e grande fim, é obter uma princesa que por seu nascimento, formosura, virtude, instrução venha fazer minhas felicidade e a do Império. Quando não seja possível reunir as quatro condições, podereis admitir alguma diminuição na primeira e na quarta, contando que a segunda e a terceira sejam constantes” (apud GOMES, 2010, pag. 275).

O que podemos entender a partir das exigências do monarca é que a noiva poderia não ser tão bem nascida ou mesmo ignorante, contanto que fosse bonita e recatada. Seria necessária então alguma paciência para esse imperador de quase 30 anos até que se encontrasse uma mulher que atendesse suas exigências.

Felisberto Caldeira Brant, marquês de Barbacena, em litografia de Sébastien Auguste Sisson.

Da Europa, Felisberto Caldeira tentava tranquilizar o Imperador dizendo-lhe que “brilhante casamento no estado atual das coisas não se consegue sem tempo, paciência e muita desteridade, visto que presentemente princesas só há na Alemanha, onde a influência de Matternich é decisiva” (apud PRIORE, 2012, pag. 218).

Tanto Francisco I quanto seu chanceler Matternich queria encontrar para D. Pedro I uma noiva que servisse às pretensões austríacas no solo brasileiro, tal como a finada imperatriz. Porém, a situação de Portugal exasperava Pedro de tal forma, que, por hora, decidira se preocupar em primeira instância com o trono de sua filha, do que com o segundo casamento.

Não obstante, a teimosia da marquesa de Santos em se mudar para São Paulo o exasperava. Desse ponto em diante, o relacionamento entre ambos fora se esfriando. O “Demonão” das antigas correspondências fora dando lugar a assinaturas como “teu amigo” e “O Imperador”. Só depois de muito protelar, aquela que fora a mulher mais influente da corte decidira acatar a decisão do ex-amante, partindo do Rio de Janeiro estando grávida da futura condessa de Iguaçu.

Foi quando a situação estava já em estado vergonhoso para D. Pedro I, que o visconde de Pedra Branca encontrou na casa dos Beuharnais uma candidata que atenderia aos desejos do soberano. Amélia de Leutchtenberg era uma linda moça de 17 anos, alta para sua época,² pele rosada, olhos azuis e cabelos escuros. Satisfeito com o resultado, o marquês de Barbacena enviara para o seu amo outra missiva, bem mais positiva que as anteriores:

“Aí tem, V.M.I., o retrato da linda princesa que, aconselhada por seu tio, o rei da Baviera, inimigo de Matternich e doador, como V.M., de constituições liberais, ousa passar os mares para se unir a um soberano que todos os ministros austríacos da Europa pintam como o assassino de sua mulher. O original é muito superior ao retrato” (apud PRIORE, 2012, pag. 237).

Por nascimento, Amélia de Leuchtenberg não chegava nem perto da primeira Imperatriz do Brasil: era filha de Eugênio de Leuchtenberg (enteado de Napoleão pelo casamento deste com Josefina), ex-vice-rei da Itália, e Augusta, uma princesa Bávara. Tal ligação poderia ser especialmente danosa para as pretensões austríacas, uma vez que os Beuharnais ganharam destaque com a ascensão de Napoleão Bonaparte, e declinaram com a derrocada do mesmo. Dessa forma, um casamento com um soberano de vastíssimo Império seria uma proposta tentadora para a família da jovem Amélia.

A Bela Amélia de Leuchtenberg

A reação de D. Pedro ao retrato da futura consorte foi muito satisfatória. Conta-se, inclusive, que teria se apaixonado dela no mesmo instante. Seu entusiasmo pode ser medido pela carta que enviou ao marquês de Barbacena dando provas de sua imensa satisfação pelo negócio do casamento ter ido até o fim, e pedindo-lhe “com lágrimas nos olhos, que diga à imperatriz e até o que lho digo com lágrimas nos olhos: meu coração pertence à querida Amélia e, se eu não tivesse tido o prazer de ver essa negociação bem-sucedida, o túmulo seria meu repouso eterno; é o coração que fala e o tempo me ajudará a prova-lo” (apud PRIORE, 2012, pag. 240).

Não obstante, o fato de a jovem noiva ser neta da primeira mulher de Napoleão, exercia um fascínio a mais sobre D. Pedro, uma vez que era grande admirador deste general.³ Além disso, D. Amélia passara a ser instruída sobre a geografia do Brasil por ninguém menos que Friederich von Martius, naturalista que estivera no Brasil e catalogara muitas das peculiaridades do território, como sua fauna, flora e costumes.

Em 30 de maio de 1829, Barbacena assinava em segredo o contrato de casamento entre seu amo e a princesa Amélia Augusta Eugênia Napoleona, negligenciando assim uma série de anúncios que eram exigidos pela etiqueta; e em dois de agosto o casamento por procuração era celebrado em Munique. Era já, então, a Imperatriz do Brasil. 22 dias depois, embarcava para o reino de seu consorte, passando antes em Plymouth (Inglaterra), para pegar D. Maria da Glória, que na ocasião estava pela Europa.

A noiva, porém, só aportaria no Rio de Janeiro em 16 de outubro. Conta-se que, ao vê-la pela primeira vez, o consorte real teria desmaiado no convés do navio. Estava profundamente enamorado daquela moça 14 anos mais nova que ele. Para comemorar sua chegada, criara para ela a “ordem da rosa”, cujo lema era “Amor e Fidelidade”. Toda a corte carioca ficara encantada com sua nova soberana. O Marquês de Resende assim a descreveu:

“Um ar de corpo como o que o pintor Corregio deu nos seus quadros à rainha de Sabá e uma afabilidade que aí há de fazer derreter a todos fizeram com que eu exclamasse, na volta para casa: valham-me a cinco chagas de N. S. Jesus Cristo, já que pelos meus enormes pecados não sou o imperador do Brasil” (apud PRIORE, 2012, pag. 244).

Ordem da Rosa, criada por D. Pedro I em decorrência de seu casamento com D. Amélia de Leuchtenberg.

As bodas oficiais do casamento tiveram lugar no dia seguinte à chegada da Imperatriz, sob uma forte chuva que em nada atrapalhou a emoção do monarca. Em seguida, deu-se lugar à tradicional cerimônia do beija-mão, e ao banquete do casamento. O matrimônio ficara imortalizado pelos olhos atentos de Jean-Baptiste Debret, em uma tela na qual vemos a noiva toda de branco, recebendo do consorte a aliança e do bispo, a benção. Era o início de uma nova fase na vida de D. Pedro I, bem como na do Império do Brasil.

Notas:
¹Domitila de Castro tivera que ser afastada duas vezes da corte: a primeira em 1828 e a segunda em 1829 quando o casamento de Pedro com D. Amélia já estava arranjado.
²Uma autopsia com os restos mortais da segunda mulher de D. Pedro realizada em 2012 pela Arqueóloga e Historiadora Valdirene Ambiel comprovou que ela tinha entre 1,60m e 1,67m de altura.

D. Leopoldina, primeira esposa de D. Pedro I, era cunhada de Napoleão Bonaparte, que se casara com a arquiduquesa Maria Luísa, irmã da primeira Imperatriz do Brasil, em 1810.

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Hstória

Carlota Joaquina – Wikimedia Commons

5 FATOS SOBRE A RAINHA CARLOTA JOAQUINA DE BOURBON
Dona Carlota Joaquina da Bourbon foi uma das rainhas mais caricatas e singulares da História Europeia, característica por sua autonomia e capacidade política, com a qual articulou contra o marido praticamente a vida inteira. Nascida na Espanha, tornou-se rainha de Portugal e, por consequência, do Brasil, com as decorrências da invasão da Península Ibérica por Napoleão.

Uma figura repleta de lendas ao redor, que passam por atribuí-la hábitos ninfomaníacos, a autoria da criação da caipirinha e uma série de boatos políticos de uma Europa conservadora, ela foi um importante quadro do absolutismo no momento em que ele sofria uma grave crise.

Conheça cinco fatos essenciais para compreender a trajetória política de Dona Carlota!

Retrato oficial do casal Carlota e João / Crédito: Wikimedia Commons

1. Casamento infeliz
A união entre Carlota Joaquina e seu marido arranjado, Dom João de Bragança, tinha como origem uma busca por ambas as coroas de uma paz diplomática e uma união de interesses. Criando-se uma relação de confiança mútua, a associação entre Espanha e Portugal permitia uma vizinhança tranquila e a perda das ameaças de uma nova União Ibérica.

Porém, essas motivações políticas não permitiram que os cônjuges minimamente se gostassem. Com um ódio profundo pelo marido, que foi obrigada a se casar com apenas dez anos, uma pessoa com personalidade diametralmente oposta a ela: mais bonachão, conservador e tranquilo, ele era incompatível com a pretenciosa, articuladora, autônoma rainha de personalidade forte.

2. Desprezo recíproco pela corte portuguesa
Ao ser levada a Lisboa em 1785, Carlota teve um choque relevante. Criada pelo rei espanhol Carlos III sob uma ótica mais liberal, aprendendo artes e a agir independentemente, ela era incompatível com a corte portuguesa. Uma mulher extremamente inteligente e livre, sofreu reveses de uma corte conservadora e fechada que a exigia postura e decoro.

Carlota Joaquina – Wikimedia Commons

Em contrapartida, a corte portuguesa também detestava Carlota. Sua atuação afrontosa e controladora (sabia ser disciplinada, mas não necessariamente queria), além das rixas com o próprio marido, levaram-na a ser represada pelos aristocratas lusitanos, que a deram o infeliz apelido de Megera de Queluz.

3. Pretensões de poder
Carlota Joaquina nunca escondeu sua sede pelo poder, inclusive sua pretensão de assumir o trono de Portugal e da Espanha. Absolutista e pretenciosa, articulou diversas vezes golpes de Estado e movimentações obscuras no sentido de tomar o governo do próprio marido, que julgava ser um inapto. Associando-se com intrigas do interior da corte, entretanto, nunca conseguiu ascender como queria.

Dom João VI / Crédito: Wikimedia Commons

Porém, várias dessas articulações foram importantes no contorno das relações políticas da monarquia portuguesa. Uma das maiores pretensões da rainha era a de assumir, por sua origem espanhola, o controle das colônias hispânicas na Bacia do Rio da Prata e tornar-se rainha autônoma na América. Com isso poderia articular até uma derrubada da coroa portuguesa e, no limite, criar uma nova União Ibérica centrada em si.

4. Exílio e separação
Com as invasões napoleônicas e a crise política gerada, a Família Real Portuguesa decide finalmente transferir as cortes para o Rio de Janeiro, o que desencadeara mais tarde no nascimento do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. Carlota se vê enojava com o plano, não vendo sentido em uma rainha se submeter a viver numa colônia. Para piorar, a vigem para lá foi degradante e marcada pela famosa epidemia de piolho que tomou os monarcas e os deixou carecas.

Chegada da Família no Rio de Janeiro / Crédito: Wikimedia Commons

Indignada com a situação em que estava, pelo menos conseguiu a abertura para fazer algo que já planejava: viver separada e distante do marido. Então, passou a viver fora dos círculos da monarquia, no Palácio de São Cristóvão, morando em locais mais bucólicos, como o Aterro do Botafogo. Ela e o marido apenas se encontravam em cerimônias oficiais, e mal se conversavam.

Dona Carlota no fim da vida / Crédito: Wikimedia Commons

5. Intrigas políticas e morte solitária
Com a Revolução do Porto em 1820 e a exigência de retorno das cortes a Lisboa, Carlota voltou a se articular com membros da família real, no intuito de tomar o poder. O cenário político colocara os liberais constitucionalistas e os conservadores absolutistas em embate, e a rainha Joaquina passou a articular com o filho Dom Miguel em favor do segundo grupo, que se opunha a Dom João VI.

Recusando-se a jurar a Constituição, ela integrou a oposição forte ao governo do marido, mas com o tempo, minou também suas relações com aliados. Gradativamente, se isolou até entre os absolutistas, incluindo Miguel, passando a viver sozinha no Palácio de Queluz, onde foi assolada por uma depressão e morreu aos 54 anos, em 1830. Hoje, se discute se a rainha tirou a própria vida com envenenamento, o que é bastante plausível.

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História

Dia 2 de Julho Dia da Consolidação  da  Independência do Brasil na Bahia

DIA DA CONSOLIDAÇÃO  DA  INDEPENDÊNCIA DO BRASIL
Dia 2 de julho, Dia da Independência da Bahia! Erradíssimo!  A Bahia não é um País para ser independente! O correto é:  “Dia 2 de Julho dia da Consolidação  da  Independência do Brasil”. No dia 2 de julho de 1823 aconteceu a consolidação da Independência do Brasil na Bahia, com a expulsão dos portugueses que ainda mandavam.

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História

Dom Pedro II em imagem oficial do Brasil Império – Wikimedia Commons

SEGUNDO REINADO: MUITA ALFORRIA, POUCA ABOLIÇÃO
Entre as maiores características do governo imperial brasileiro, uma de suas principais é a manutenção da escravidão como módulo econômico e rentável. É argumentado que a Família Real era contrária ao sistema, no entanto, o que é averiguável é que praticamente todo o período imperial teve como principal recurso econômico e base de apoio político o latifúndio escravista. Nessa época, o Brasil era um país em que “quase tudo dependia do trabalho escravo e da chegada dos africanos”, afirmou Luiz Felipe de Alencastro, em entrevista à BBC.

E essa realidade muitas vezes foi de um embaraço considerável para o governo brasileiro. Em um mundo cada vez mais pautado no salário e nas relações livres capitalistas, o Brasil era um país atrasado, que sustentava o trabalho forçado.

Dom Pedro II teve, junto a sua equipe diplomática, que realizar esforços para demonstrar uma imagem do Brasil como ocidental, desenvolvido e liberal para o resto do mundo, apagando o registro da escravidão.

Não somente o sistema capitalista destruía o escravismo em diversos países, principalmente na Europa, mas no Brasil a escravidão também vinha se tornando uma prática economicamente insustentável, encarecendo a produção.

Escravidão no século 19 / Crédito: Domínio Público

Por isso, o uso de mão de obra escrava diminuía paliativamente no país, enquanto a base política principal do governo ainda era a velha elite escravista do sudeste. Isso resultou num empasse: como movimentar a economia sem perder a credibilidade entre os que se apropriam da escravidão?

Ao mesmo tempo, o sistema exploratório no Brasil, desde tempos coloniais, não é o mesmo que os dos EUA. No Brasil, o principal grupo econômico que sustentava a escravidão e pressionava o governo monárquico, além do produtor agrícola, era o comerciante do tráfico atlântico.

Assim, os escravistas no Brasil não se esforçaram em reproduzir os escravizados em território nacional, mas focaram numa lógica em que a circulação e a busca de novos explorados tem primazia. Isso porque os traficantes representavam uma classe econômica e politicamente essencial para a manutenção do poder dinástico dos Bragança.

Tudo isso culminou numa questão essencialmente econômica, mas que é abordada como causa humanitária: a alforria. O Brasil foi um dos países que mais emitiram cartas de “liberdade” na História, ao mesmo tempo em que foi o ultimo das Américas a abolir a escravatura. O recurso consiste em um documento de ordem jurídica que liberta o escravizado.

Dom Pedro II / Crédito: Getty Images

Um dos maiores historiadores da escravidão do Brasil, Rafael B. Marquese, identifica uma relação no artigo A dinâmica da escravidão no Brasil: Resistência, tráfico negreiro e alforrias, séculos XVII a XIX. “A partir de fim do século XVII, o sistema escravista brasileiro passou a escorar-se em uma estreita articulação entre tráfico transatlântico de escravos bastante volumoso e número constante de alforrias. Nessa equação, era possível aumentar a intensidade do tráfico, com a introdução de grandes quantidades de africanos escravizados, sem colocar em risco a ordem social escravista”.

Entretanto, a alforria é, na prática, um mecanismo de manutenção da ordem senhorial, em dois sentidos. O primeiro deles é que a libertação de alguns indivíduos escravizados não altera a estrutura social da escravidão, permitindo sua dinamização com a demanda de novos escravos e a venda pelos traficantes que vinham da África, como era de consciência da Família Imperial. Ao mesmo tempo, o recurso possibilitava a extensão do prazo da escravatura, permitindo adiar-se, como foi feito pelo governo de Pedro II, a abolição.

Carta de alforria em exposição no Museu Histórico Nacional / Crédito: Wikimedia Commons

Ou seja, na prática, o estatuto da alforria foi mais uma possibilidade de propaganda da benevolência e do humanitarismo de Dom Pedro II e de suas elites, do que realmente uma repulsa à escravidão. Isso explicaria as diversas leis aparentemente progressistas, mas que foram votadas pelos conservadores do Congresso para sustentar o sistema: Ventre Livre, Sexagenário, etc.

Por fim, a abolição da escravidão também não foi uma prática humanitária, mas uma resolução econômica e um golpe contra um projeto de igualdade de oportunidades. Segundo Alencastro, a Lei Áurea foi um projeto conservador que culminou num momento em que se ameaçava uma revolta generalizada de escravos contra o sistema, como ocorreu no Haiti. O objetivo era impedir que as elites fossem tocadas, e esse projeto culminou a República, essencialmente oligárquica. “No final, a ideia de reforma agrária capotou”.

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História

Luís Gama e Princesa Isabel – Wikimedia Commons

MITOS SOBRE A LEI ÁUREA, QUE COMPLETA 132 ANOS
O dia 13 de Maio é um marco na memória brasileira. Nesse dia, em 1888, era assinada a Lei Áurea, que dava fim à legalidade do cativeiro de trabalhadores. A abolição foi vista com bons olhos: a promulgação levou o Brasil ao delírio, com grandes festas e comemorações.

No entanto, essa comemoração esconde elementos importantes da arquitetura da exclusão que ela representa, se tratando de uma distorção dos fatos, que esconde uma série de mitos sobre a história do Brasil.

Pensando nisso, separamos 5 dessas narrativas.

Revolta / Crédito: Wikimedia Commons

1. A abolição foi obra da Princesa Isabel
A professora Angela Alonso, autora de Flores, Votos e Balas, resume: “Depois da abolição, aconteceram várias celebrações em torno da princesa Isabel. Parte dos abolicionistas, inclusive, associou a abolição à Coroa. Mas (a princesa) teve uma importância bem lateral. Há vários líderes negros que foram muito importantes”. Ou seja, se esquece dos principais interessados na abolição: os escravos.

“Os próprios escravos contribuíram de forma decisiva para acelerar o processo do fim da escravidão”, adiciona o historiador Ricardo Tadeu Caires Silva, da Universidade Estadual do Paraná, à BBC. “A abolição foi feita muito mais por uma pressão das ruas, das senzalas, do que por uma decisão política com base na bondade”.

Ao contrário do que diz o senso comum, o núcleo da luta pela abolição não era uma vontade humanista por parte da monarquia, que foi colaboracionista com um parlamento escravista por mais de 60 anos de Império, mas uma série de lutas e revoltas no interior das fazendas, que foram suprimidas.

A Lei Áurea é o culminar de todo um projeto de pressão social pelo fim da escravidão, que foi adiada com leis conservadoras como o Ventre Livre e a do Sexagenário.

Princesa Isabel e Leopoldina de Bragança / Crédito: Wikimedia Commons

2. Isabel aproveitou uma viagem de Dom Pedro II para assinar a Lei Áurea
Não ha dúvidas: a abolição da escravatura seria assinada por qualquer um que estivesse no poder. O adiamento da execução não ocorreu por uma discordância entre o Imperador e a Princesa, mas por conta de uma inviabilidade vista pelo governo, que tinha seu principal apoio na elite escravista. As pressões sociais, porém, obrigaram o governo a se modernizar economicamente e acabar com a questão servil.

As motivações que levaram à Lei Aurea não eram de motriz humanista ou social, mas essencialmente produtiva, e a herdeira do trono, com pressões causadas pelas revoltas escravas, enxergava, assim como o pai, a ação como premeditada.

Tudo indica que a ação de 1888 aconteceu para que Isabel conseguisse apoio popular para o desenvolvimento de um Terceiro Reinado, num momento em que seu pai estava debilitado.

Revolta escrava / Crédito: Divulgação

3. A luta contra a escravidão foi pacífica
Aqui, prevalece uma confusão de protagonismo. Na luta pela abolição por parte da monarquia, essa questão se tronou pauta a partir de 1850. No entanto, a emancipação dos cativos já era socialmente exigida desde o século 16: escravos lutavam por sua liberdade há séculos.

Famílias negras livres também integraram à luta emancipacionista muito antes dela se tornar uma pauta econômica do Império. Nomes importantes como Luís Gama, José do Patrocínio, André Rebouças e outros negros batalharam não apenas pelo fim do serviço senhorial, mas pelo auxílio aos libertos, que eram desamparados (e continuaram com as decisões políticas da Princesa Isabel e da República).

Uma das maiores especialistas em escravidão do Brasil, Maria Helena Machado, da USP, lembra em entrevista à BBC da pressão que a violência das revoltas contra os senhores teve na pressão pela abolição: “Eram crimes planejados, insurreições. Muitas vezes, em reação à violência física contra os escravos”.

Ou seja, muitas dessas ações tiveram um cunho revolucionário. “Aqueles que vencem a batalha é que fazem a narrativa. Nós historiadores temos que reconstituir o processo da batalha, para recuperar as vozes daqueles que não foram ouvidas”.

Escravidão no século 19 / Crédito: Domínio Público

4. Os governantes estavam do lado dos escravos
Ao contrario do que se costuma afirmar, o que resultou na Lei Áurea não era um afeto da monarquia pelos negros, mas o medo de uma revolta generalizada como aconteceu no Haiti, que quebraria a lógica do poder e dominação senhoriais.

É o que defende Luís Felipe de Alencastro, historiador e cientista político, que afirma que a abolição foi um movimento conservador de manutenção dos privilégios, para a elaboração, ainda excludente, de uma nova fase econômica controlada pela elite. “No final, a ideia de reforma agrária capotou”.

Muitos dos agentes centrais do movimento pela emancipação foram esquecidos e caíram no anonimato, num esforço conjunto de monarquia e república de acabar com a memória dos negros no Brasil.

Resumidos em alguns nomes mais conhecidos e ligados à ideologia monárquica, como José do Patrocínio (normalmente lido como caricatura), isso serve a um projeto de protagonismo da elite branca.

Escravidão / Crédito: Wikimedia Commons

5. Um marco contra o racismo
O período pós-abolição é central na compreensão das mazelas que ainda atingem a sociedade brasileira, marcada pela exclusão de negros em favelas e empregos de baixa remuneração e qualidade.

O projeto abolicionista nunca teve uma matriz humanista de auxílio aos emancipados, que foram deixados à própria sorte, sem propriedade e excluídos do mundo do trabalho, que esperava uma substituição com base na mão de obra europeia.

A inclusão do negro na sociedade não era pauta do governo. “Agora, a gente tem condições mais favoráveis pra voltar a esse 13 de maio com outros olhares e outras perguntas que permitam reconhecer os esforços negros na luta contra a escravidão. Porque, ainda que o projeto dessas pessoas não tenha sido o vitorioso, não se pode ignorar a luta dessas pessoas. Isso é um outro roubo de historicidade da experiência negra”, afirmou Ana Flávia Magalhães, da UnB, ao portal Terra.

“É importante a gente pensar nos abolicionistas lá do século 19 e o que a gente está enfrentando aqui hoje. Essa situação hoje é lastimável, de um racismo atemporal que se organiza no Brasil e que muita gente que está no topo do comando político tem ojeriza de sequer citar esse debate, quanto mais enfrentar o que essa situação de exclusão histórica produziu e impactou no projeto de vida da coletividade negra do país”, lembra a pesquisadora e ativista baiana Vilma Reis.

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História

Princesa Isabel – Biblioteca Nacional

AS ANGÚSTIAS DA PRINCESA ISABEL
Dona Isabel foi uma figura única da monarquia brasileira, e possivelmente a herdeira do trono numa eventual morte de Dom Pedro II ainda no poder — o que não aconteceu, diante da monarquia. Segundo a historiadora Regina Echeverria, em entrevista à BBC, a filha do imperador era uma “mulher bem humorada”, além de “determinada e apaixonada pelo marido, com personalidade forte […], mandona, leonina”. Porém, isso não impediu que sua vida fosse marcada por angústias e infelicidades, principalmente por acabar num exílio.

Baixinha e de olhos azuis, sua face era marcada pela ausência de sobrancelhas. Próxima à irmã, Leopoldina, teve seu casamento arranjado em meio a negociações mútuas que a envolveram. Dom Pedro mandara emissários à Europa no intuito de encontrar maridos para ambas ao mesmo tempo. Inicialmente, foi cogitado um matrimônio com o Príncipe de Joinville, sem sucesso.

Então, foi acordado que Isabel se casasse com Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota, e sua irmã se casaria com Dom Gastão, o conde D’Eu. Porém, ao conhecerem os pretendentes, perceberam que os afetos apontavam uma inversão: Isabel preferia o aristocrata francês. Porém, Gastão chegou a descrever ambas as moças como “feias”, achando Isabel menos bonita que Leopoldina. Acabaram casando em 1864, no Rio de Janeiro.

Família de Isabel / Crédito: Wikimedia Commons

Apesar de a simpatia do pai em levá-la a compromissos oficiais, a vida de Isabel foi marcada pelo ambiente doméstico. Ela tinha pouco espaço, mas mesmo assim desenvolveu um hábito fugaz pela leitura.

A visita à Europa do casal, em 1865, ocorreu puramente como civil: o Brasil, por insistir no apoio ao tráfico negreiro, cortara relações com a Inglaterra. Além disso, a família de Gastão havia sido expulsa da França. Logo depois do retorno ao Rio de Janeiro, Isabel passou por uma fase solitária: o Imperador convocara Gastão a participar da Guerra do Paraguai.

Com o fim da guerra, em 1870, eles voltaram a viajar à Europa, onde mais um episódio abalou sua vida íntima. Em Viena, visitando a irmã que deixara o Brasil, ela teve de lidar com a súbita morte de Leopoldina, que adoecera em 1871. O trágico acontecimento entristeceu Isabel, que se tornou a única filha viva de Dom Pedro II.

Triste e com um sentimento de solidão, ela e o marido voltaram ao Brasil. Três anos depois, ela ficaria grávida pela primeira vez, mas numa situação que levara a mais um trauma. Seu primeiro trabalho de parto na vida durou cerca de 50 horas, causando imensa dor, e resultando na morte do bebê.

A princesa Isabel do Brasil – Wikimedia Commons

A menina, que faleceu antes do nascimento, foi mais uma da linhagem dos Bragança que teve o duro destino antes de sair da infância. O parto fora muito duro e doloroso, sem anestesias, como relata Cleomenes Simões na obra Os partos da Princesa Isabel. O fato foi mais um abalo psicológico na aristocrata, que também vivia com um peso criado pela herança do poder, que era não só incomum na época — no Brasil, não havia direito ao trono a mulheres — como também marcado por contradições.

No ano seguinte, ela seria agraciada com o primeiro filho, Pedro de Alcântara. Depois, ainda teria mais dois: Luís e Antônio Gastão, mas o ocorrido da natimorta e o primogênito deficiente trouxeram grande amargura à princesa.

Outro momento de grande pesar na vida de Isabel se deu a partir do final dos anos 1880. Como herdeira, ela assumia o comando do governo nas diversas visagens (muitas delas por puro entretenimento) do pai. Numa dessas situações, ocorreu a famosa assinatura da Lei Áurea. Porém, com a crise da monarquia, Dom Pedro II sofreu um golpe em 1889, partindo para o exílio na Europa.

Passando a viver na França, Isabel sofreu muito com o distanciamento da terra natal. Assim como o pai, ela adorava o Brasil e, por isso, o exílio teve grande peso no seu psicológico, deprimindo a ex-princesa. Ela vivia relatando a vontade de retornar, mas sempre com um ponto de vista puramente civil, não política (ela deixou bem claro que não queria mais se envolver em movimentos).

Gravura da Família Imperial no exílio / Crédito: Wikimedia Commons

Em constante comunicação com os monarquistas do Brasil, Isabel se recusou a participar de qualquer iniciativa der retomada do regime na recente República Brasileira. Magoada e deprimida, ela queria saber como estava a situação dos brasileiros constantemente, mas muitas vezes barravam a verdade humilhante e entretecedora do cenário político de lá. Mais um abalo ocorreu na década de 1910, pois dois de seus filhos (Antônio e Luís) morreram na frente britânica da Primeira Guerra. Morreu em 1921, amargurada.

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